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I João

Utilização do Método Sintético

06/01/07

Acima

 

INTRODUÇÃO

O presente estudo busca, na plenitude das palavras de João, a advertência sobre as várias doutrinas anti-cristãs que são difundidas atualmente, assim como aquelas empregadas por homens heréticos da época de João. O método de estudo em si leva a várias pesquisas que irão esquadrinhar os contextos abordados por João naquela época em Éfeso; o importante é tirar do estudo aplicações dos textos para atuar na vida pessoal de cada indivíduo.

 

MÉTODO SINTÉTICO

O método sintético consiste numa abordagem total do livro estudado, buscando compreender o livro como um todo, tentando sempre apontar para um tema central do livro ou uma mensagem central. A unidade intrínseca da leitura neste método é um dos pontos principais para a melhor compreensão do livro, ou seja deve-se dar atenção a uma leitura continuada do livro por várias vezes até obter um conceito único do livro.

 

  1. Autor – características e personalidade

A carta em si é anônima, mas pelos pais da igreja primitiva tomava-se como autoria João, filho de Zebedeu; além disso o estilo e vocabulário indicam claramente que a mesma foi escrita pelo autor do Evangelho de João, logo toma-se como autor do livro: João, filho de Zebedeu, e irmão de Tiago, membro do círculo mais íntimo de Jesus (discípulo que Jesus amava – Jo 13:23).

Segundo uma tradição antiga, João tinha como centro de operações, Jerusalém. Ali, cuidou de Maria (mãe de Jesus) até sua morte. Depois da destruição de Jerusalém, mudou para Éfeso, onde permaneceu até a sua velhice, foi também em Éfeso que escreveu seu evangelho e as três cartas, é bom salientar que João permaneceu um ano banido na ilha de Patmos (95 dC), onde recebeu as visões as quais escreveu o Apocalipse. Vale lembrar que alguns pais da igreja primitiva foram alunos de João, como: Policarpo, Papias e Inácio, que vieram a ser bispos de Esmirna, Hierápolis, e Antioquia respectivamente (HALLEY, 2001).

 

  1. Características da escrita

Existem grandes semelhanças entre a carta e o Evangelho de João. O tom da carta é amigável e paterna, apontando para uma autoridade que somente a velhice poderia proporcionar. O estilo da carta é informal e pessoal, revelando um grande vínculo entre o autor e Deus, assim também como o povo de Deus. Interessante saber que ninguém foi apresentado como possível autor pela igreja primitiva.

Ao observar trechos do evangelho e da carta, tem-se muitas semelhanças entre si: I Jo 1:4 com Jo 16:24, I Jo 3:8 com Jo 8:44, e etc. Outro fato que toma-se para a autoria de João ao livro, é que há indicações de um relacionamento íntimo com o Senhor Jesus, ajustando com as descrições apontadas no evangelho (discípulo a quem Jesus amava – Jo 13:33) (BARKER, 2003).

 

  1. Receptores

O livro em vários momentos deixa claro que a carta fora direcionada para os crentes.

O fato de não mencionar ninguém como destinatário, falta de dedicação e saudação, faz supor que se tratava de uma carta circular, enviada a cristãos de vários lugares. Como João permanecia em Éfeso, na província da Ásia (atual Turquia), supõe-se que a carta foi direcionada para todas as partes da província, onde o mesmo desenvolvera o seu ministério (BARKER, 2003).

 

  1. Data e época

É um dos últimos livros do Novo Testamento. Como o autor parece desenvolver conceitos e temas coincidentes do Evangelho de João, pode-se apontar que o livro foi escrito entre os anos de 85 dC e 95 dC, tomando em consideração que o evangelho tenha sido escrito em 85 dC, então afirmar-se que o livro foi escrito depois do evangelho; no entanto é difícil apontar com exatidão a data do livro.

Há ainda fatores que levam a crer que o manuscrito tenha sido realmente escrito em torno desta época, veja alguns destes fatores: a) as evidências de escritores cristãos primitivos, tais como Irineu e Clemente de Alexandria; b) a forma primitiva do gnosticismo refletida nas denúncias do livro; c) as informações da idade de João contidas no livro, dão uma idéia de uma idade bem avançada tornando possível estar no final do século I (BARKER, 2003).

 

  1. Contexto geográfico

A carta em si foi destinada as igrejas em torno de Éfeso; já que esta era a área de atuação de João. Éfeso foi uma das grandes cidades dos gregos na Ásia Menor, situada no local onde o rio Cayster deságua no Mar Egeu. De Éfeso é possível ser avistada a ilha de Patmos, a cidade é protegida por montes costeiros. Foi fundada por colonos provenientes principalmente de Atenas. Ciro, o Grande, incorporou a cidade ao império persa e Alexandre, o Grande, a libertou em 334 aC. Com o surgimento do cristianismo, Éfeso foi uma das primeiras cidades cuja pregação dos apóstolos causou mais difusão das doutrinas de Cristo. Atualmente, pertence a Turquia. Em 133 aC Éfeso foi declarada capital da província romana da Ásia, mas pesquisas arqueológicas revelam que Éfeso já se constituía em centro urbano antes do ano 1000 aC (PIZZUTIELLO, 2002).

Mas assuntos materiais não eram somente a sua riqueza; em Éfeso destacavam-se iniciativas culturais como escolas filosóficas; escola de magos e muitas manifestações religiosas, sendo a mais significativa em torno de Ártemis, a deusa da fertilidade. Um dos maiores teatros do mundo situava-se em Éfeso, com capacidade para 25000 espectadores de uma população total estimada em cerca de 400000 a 500000 habitantes. Era a quinta mais populosa cidade do império romano. Outro ponto interessante é que o templo de Ártemis foi construído neste local, e que quando as pessoas começaram a se converter ao cristianismo, aqueles que lucravam com a adoração da deusa ficaram preocupados e começaram um levante para acabar com o cristianismo.

 

  1. Confirmações arqueológicas

Não há nenhum indício arqueológico desta carta de João, o que tem-se são afirmações dos primeiros escritores cristãos que tomam a carta como oriunda de João e a atestam em seus manuscritos como verdadeira e real, deve-se saber também que não há mais originais do Novo Testamento para a confirmação do fato. A maioria dos textos neotestamentários sempre foram considerados como parte da Bíblia desde o início, e as gerações cristãs sempre preservaram pelo zelo na transmissão fiel do texto e suas mensagens.

 

  1. Contexto cultural no qual o livro estava inserido

Quando João escreveu este livro, o cristianismo já tinha uns 60 ou 70 anos de existência e, muitas partes do Império Romano, se tornara uma religião importante (influência poderosa). Naturalmente, foram feitos esforços de todos os tipos para combinar o evangelho com as filosofias e sistemas de pensamento que então predominavam. Um desses esforços envolvia a combinação do cristianismo com a filosofia conhecida por gnosticismo. A forma de gnosticismo que desintegrava as igrejas nos dias de João ensinava que a natureza humana consistia em duas entidades separadas e irreconciliáveis entre si: o corpo e o espírito. O pecado estava no corpo, e as coisas de Deus no espírito, logo o corpo poderia fazer o que queria. A dimensão espiritual era alcançada através da obtenção do conhecimento. Os gnósticos negavam também a Encarnação de Jesus: Deus não se tornara realmente um ser humano em Cristo; mas um fantasma, que só parecia ser humano. Esta teoria era chamada de Docetismo. Além dessa havia uma outra que se identificava com Doutrina de Cerinto, em que Cristo divino uniu-se com Jesus no momento do seu batismo, e o abandonou no momento da morte de Jesus. Cerinto era líder dessa seita em Éfeso, falava ter vivido experiências místicas e ter conhecimentos divinos; mas sua vida girava em torno da gratificação dos apetites sexuais (HALLEY, 2003).

 

  1. Conteúdo

Inicialmente João retrata as questões pertinentes ao amor, luz, conhecimento e vida em contra partida ao ensinamentos gnósticos da época, o que era caracterizado como heresia. Estas questões estão a mostra em todo o livro, mas o amor é o assunto predominante. Para uma pessoa se declarar cristã ela deve possuir o amor, e a falta desse amor mostra que a pessoa está nas trevas. João afirma que Deus é luz, e o nosso relacionamento com Ele faz com que as pessoas ande em verdadeira comunhão com outros crentes. E é nesta comunhão com os irmãos e com Deus que reconhece-se a falsa doutrina e o anticristo, sempre sob a unção de Deus. Ao andar no caminho da luz, obedecendo os mandamentos de Deus, estar-se-á em relacionamento com Deus, fazendo deste uma comunhão única. O amor a Deus e o amor do mundo são totalmente diferentes entre si, são antagônicos. Nenhuma pessoa nascido em Cristo tem o hábito de pecar, e Cristo veio ao mundo para tirar os nossos pecados. Já nos momentos finais do livro, João continua com as observações sobre a identificação dos falsos profetas e suas doutrinas. O livro termina com o testemunho de Jesus, o Filho de Deus (aquele que veio); João O identifica como aquele que veio pela água e pelo sangue, aquele que habitou entre nós, a Palavra que se tornou vida, a Palavra que se tornou carne.

 

                                I.      Propósito do livro

João declara ter escrito para dar garantia da vida eterna àqueles que crêem no nome do Filho de Deus; a incerteza de seus leitores sobre sua condição espiritual foi causada por um conflito desordenado com os mestres do gnosticismo (falsos profetas), buscando desmascará-los.

“João atacou especificamente a total falta de moral que tinham; e ao prestar testemunho ocular da encarnação, procurou confirmar a fé dos seus leitores no Cristo encarnado(BARKER, 2003).

 

                              II.      Principais personagens

Cristãos de Éfeso e cercanias, o autor mostra um vínculo muito grande e pessoal com estes indivíduos, o que comprova-se através da expressão “filhinhos” utilizada em quase todo o livro. Demais, não havia personagens citados e nomeados no livro.

 

                            III.      Problemas abordados

Os leitores de João eram constantemente confrontados com uma forma primitiva da doutrina gnóstica. Essa heresia também era libertina, repudiando todas as restrições morais.

A falta de comunhão entre os irmãos e Deus, era um dos fatores que preponderavam para as várias divergências das igrejas nesta área.

 

  1. Teologia do livro

 

                                I.      Tema central

O amor é o tema central de todo o livro, seja ele extendido a Deus ou aos irmãos em Cristo Jesus.

 

                              II.      Significado central do assunto naquele tempo

O amor sempre levará ao entendimento das coisas do Pai, e principalmente irá marcar aqueles que entendem a Deus como procedentes de Deus. O amor propicia aos procedentes de Deus enxergar as astúcias do mundo, conduzindo-os em direção a luz e em retidão a Jesus Cristo.

 

                            III.      Significado nos dias atuais

Ainda em nossos dias o amor é o que sempre foi, ou seja, sempre será o grande diferenciador para o Pai. Pois o amor é o principal mandamento de Cristo. Permanecendo Nele estar-se-á em Deus e Deus em nós, e entender-se-á que Deus é amor.

 

  1. Cristo no livro

João enfatiza tanto a divindade quanto a humanidade de Jesus, declarando que Deus entrou completamente em nossas vidas através de Cristo, pela graça divina.

Quando se conhece a Cristo, é que se obedece os seus mandamentos (HALLEY, 2001).

Um teste do cristianismo é a crença correta sobre a Encarnação de Jesus. Jesus é nosso intercessor, nosso advogado junto ao Pai. Pecar não é uma característica de um cristão, mas se ocorrer Cristo nos defenderá. Jesus é a propiciação pelos nos pecados. “João afirma que sermos salvos pela graça divina não nos desobriga da necessidade de obedecer os mandamentos de Cristo” (HALLEY, 2001). Jesus também é o nosso Salvador, enviado por Deus para nos resgatar de nossos pecados, é somente através de Cristo que se obtém a vida eterna. A segunda volta de Jesus é um motivo pelo qual o indivíduo deve permanecer na fé, e que a transformação total do ser humano ocorrerá neste momento, tornando os procedentes de Deus semelhantes a Cristo.

 

 

 

 

  1. Comentários adicionais

Gnosticismo é uma palavra derivada do grego gnosis, que significa conhecimento. Os gnósticos ensinavam a salvação através de esclarecimento mental, que acontecia somente para iniciados da elite espiritual, e não aos cristãos comuns. Em virtude disso, eles substituíram a fé pelas buscas esprituais e exaltaram a especulação mais do que os dogmas básicos do evangelho.

O gnosticismo fora uma das heresias mais perigosas do dois primeiros séculos da igreja. Ensinava que a matéria era essencialmente ruim e o espírito era essencialmente bom. O ponto de vista dualista fez com que os falsos mestres negassem a encarnação de Jesus e, portanto a ressureição. O verdadeiro Deus, ensinava eles (os falsos profetas), nunca poderia habitar um corpo material de carne e sangue. Portanto, o corpo humano que Jesus supostamente possuiu não era real, mas aparente. Eles também ensinavam que, como o corpo humano era um simples invólucro para o espírito interior, e como nada que o corpo fizesse poderia afetar o espírito interno, as distinções éticas pararam de ser relevantes. Logo, eles não tinham pecados (HALLEY, 2001) (PIZZUTIELLO, 2002).

 

  1. Aplicação

Como o tema central do livro é o amor, a aplicação pessoal na vida do cristão não poderia ser outra a não ser A-M-A-R; amar os irmãos e amar a Deus. E isto é um dos mandamentos principais da doutrina de Jesus Cristo, é através do qual se identificará o verdadeiro cristão, o cristão que procede de Deus, que caminha na luz. Outro ponto importante, é ter discernimento com relação as coisas que são de Deus, referenciando aos falsos profetas ou anticristos.

A certeza de um cristão é que a vida eterna está em Cristo Jesus, a qual é uma vida de qualidade divina e de duração perpétua.

O amor leva a compreensão de todas estas coisas, logo é através do amor que se conseguirá a tão almejada coroa.

 

  1. Esboço do livro

                                I.      Introdução: o verbo encarnado (1:1-4)

                              II.      Comunhão com Deus e Cristo (1:5 – 2:17)

a.       Deus é luz (1:5-10)

b.      Andando na luz (2:1-17)

1.       Cristo – O Intercessor (2:1-6)

2.       O caminho da luz: rompendo com o pecado (2:7-11)

3.       O amor do mundo (2:15-17)

                            III.      O anticristo (2:18-27)

                            IV.      Os filhos de Deus (2:28 – 3:10)

                              V.      O amor (3:11-24)

                            VI.      Falsos profetas (4:1-6)

                          VII.      O amor de Deus (4:7-21)

                        VIII.      A certeza da vida eterna (5:1-21)

a.       A fé em Jesus (5:1-5)

b.      A garantia da vida eterna (5:6-12)

c.       A confiança do cristão (5:13-21)

 

CONCLUSÃO

O mundo atual leva as pessoas a falsas aptidões sobre um futuro promissor, calcado na labuta diária pessoal e intransferível, e no individualismo organizacional. O presente trabalho mostra a virtude estampada no texto onde o ponto fundamental é o amor; o alerta em si é para os falsos recursos que o indivíduo dispõe ao longo de sua vida. A estrutura e a caracterização do estudo juntamente com o método aplicado remete o autor à prática do amor e a observância dos aspectos fúteis mundanos ao qual todos estão sujeitos; o que sem o desenvolvimento e a pesquisa empregada para tal não haveria tal inclusão intelectual no autor.

 

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, João Ferreira. A Bíblia Sagrada: Edição Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original. São Paulo, 1995.

BARKER, Kenneth (organizador), [et al.]. Bíblia de estudo NVI. São Paulo. Ed. Vida, 2003.

GORGULHO, Gilberto da Silva, [et al.]. A Bíblia de Jerusalém: Edição em língua portuguesa. São Paulo. Ed. Paulus, 1973.

HALLEY, Henry Hampton. Manual bíblico de Halley: Nova Versão Internacional. São Paulo. Ed. Vida, 2001.

PIZZUTIELLO, Pablo Alfredo, [et al.]. Enciclopédia Novo Século: Vol.4. São Paulo. Ed. Visor do Brasil, 2002.

 

 

 

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