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Teologia e Revelação

14/06/07

Acima

 

INTRODUÇÃO

Desde a época de Adão até o tempo dos discípulos, Deus revelava seu plano passo a passo. À medida que Deus revelou cada parte, ele confirmou a mensagem com sinais e milagres. Em Jeremias 31, próximo ao fim da revelação dada no Antigo Testamento, Deus prometeu fazer uma nova aliança com seu povo, assim predizendo que ele mandaria a mensagem do Novo Testamento. Esta nova aliança começou a ser anunciada por Jesus. Ele ainda disse que não deu toda a mensagem por Ele mesmo, mas que o Espírito Santo revelaria o restante do evangelho através dos apóstolos (Jo 16:12-13). Esta promessa foi, de fato, cumprida, e o evangelho foi completamente revelado e confirmado no primeiro século (Hb 2:3-4).

De acordo com o ensinamento das Escrituras, o Novo Testamento é a última revelação de Deus para o homem e não há mais revelações.

 

Referências bíblicas abordadas no estudo

As referências aqui listadas levaram a melhor compreensão da relação teologia e revelações nas características de comunicação destas, trazendo importantes informações sobre a relação estudada. Apresenta-se a seguir a relação dos textos abordados na Bíblia.

a)       Jó 11:7

“ Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso?”

b)       Is 40:28

“ Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não há esquadrinhação do seu entendimento.”

c)       Jo 17:3

“ E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

d)       Fp 3:8

“ E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo”

e)       I Jo 5:20

“ E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. ”

f)        Hb 1:1

“ Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,”

g)       Hb 1:3

“ O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas;”

h)       Cl 1:15

“ o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;”

 

Novo Testamento – A última revelação de Deus.

Jesus prometeu que o Espírito Santo guiaria os discípulos a toda a verdade. Os discípulos disseram que eles não deixaram de anunciar nada (At 20:27) e que Deus tinha dado todas as coisas que pertencem à vida e ao serviço espiritual (II Pe 1:3). Paulo, em Colossenses 2, argumentou vigorosamente que havia perfeição em Cristo. Ele ensinou que Cristo contém todos os tesouros da sabedoria e conhecimento, toda a plenitude da divindade - a verdadeira circuncisão.

As Escrituras que já foram reveladas no início do cristianismo foram suficientes para completar a alegria do cristão, mantê-lo longe do pecado, dar a ele o conhecimento da vida eterna, dar a ele a sabedoria para a salvação, ensiná-lo, repreendê-lo, corrigi-lo e instruí-lo na justiça (1 Jo 1:4; 2:1; 5:13-20; I Tm 3:15; II Tm 3:16). Através das Escrituras reveladas no primeiro século, o homem de Deus podia ser adequado e preparado para toda a boa obra (II Tm 3:17).

A Nova e Última Aliança

Em Hb 7:11-14, mostra-se que há uma inseparável ligação entre a aliança e o sacerdócio. Em Hb 7:15-28 mostra-se que o sacerdócio de Jesus é infindável, indestrutível, permanente e final. Portanto, a aliança tem que ser permanente, imutável e final. Em Hb 13:20 há uma referência à eterna aliança. O sacrifício de Jesus foi um sacrifício feito uma vez para sempre (Hb 9:26), e a fé foi dada uma vez para sempre aos santos (Jd 3). Se houver uma contínua revelação da fé, teria que haver uma contínua oferta de Jesus; mas na plenitude da verdade, Jesus foi oferecido uma só vez; e o evangelho foi revelado uma só vez, também. Não existirá mais sacrifício; não haverá mais mensagens de Deus.

Esta não era a situação no passado. Antes que Cristo viesse, Deus se revelou muitas vezes em muitas maneiras, mas então ele deu sua última revelação através do seu Filho (Hb 1:1-3). Pela própria natureza de Jesus, deve ficar claro que não pode haver acréscimos nem modificações à perfeita mensagem que ele revelou através de seus discípulos no início do cristianismo. Aceitar qualquer acréscimo, é negar a perfeição de Cristo e a mensagem que ele entregou.

 

A Profecia Terminou

As revelações da vontade de Deus não foram planejadas para durarem para sempre. Em I Co 13:8-13, Paulo fala sobre três épocas neste texto:

Primeiro, há o tempo em que a profecia era em parte, quando Deus estava revelando sua palavra pedaço por pedaço (versículo 9).

Segundo, viria um tempo em que as profecias cessariam, entretanto a fé e a esperança continuariam (versículos 10 e 13).

Então, finalmente, quando Cristo retornar, a fé e a esperança também cessarão (Rm 8:24-25; II Co 5:7) e somente o amor irá permanecer.

O tempo no qual não haveriam mais profecias é agora, a época na qual temos o perfeito Novo Testamento. Pelos textos abordados até o momento, o que pode-se observar é que Deus nunca pretendeu que a revelação continuasse através dos séculos; mas sim, até que a mensagem do evangelho pelos discípulos fosse dada por completo.

 

 

Os Cristãos Devem Segurar Firme o Evangelho Já Revelado

"Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" (2 Tessalonicenses 2:15).

"Para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos" (2 Pedro 3:2). "Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo" (Judas 17). Estas passagens são muito importantes. Elas indicam que o servo de Deus deve olhar para atrás e ver a mensagem revelada pelos apóstolos e guardá-la, e não ficar à espera de mensagens vindouras. As Escrituras nos encorajam para permanecermos na revelação original e não procurar desenvolvê-la com uma outra revelação do Senhor.

 

 

A Pregação das Outras Coisas é Condenada

Sempre existiu e existe um considerável perigo de pessoas serem enganadas por impostores. Há uma constante necessidade de testar o professor comparando sua mensagem com a palavra já revelada e confirmada (Atos 17:11; 1 João 4:1). Deus adverte a respeito de confiar em pessoas que afirmam ter recebido um sonho (Jeremias 23:25-32), e também de acreditar em pessoas que pregam a mensagem errada, mesmo quando elas predizem um acontecimento, e este se torna realidade (Deuteronômio 13:1-5). Qualquer outra pregação, seja por Paulo, ou até mesmo por um anjo do céu, está condenada (Gálatas 1:6-9; 1 Timóteo 1:3-4).

 

A comunicação da revelação no Novo Testamento.

A revelação de Deus no Antigo Testamento constitui um conjunto de escritos sagrados herdados pelas comunidades cristãs atuais. Ainda que a revelação do Antigo Testamento se transforme necessariamente ao ser lida pelo novo processo revelador de Deus (Mt 5:17-20), o Antigo Testamento é confirmado como lei e norma autêntica para os cristãos de todos os tempos (Jo 10:35) e como escrituras sagradas inspiradas por Deus (2Tm 3,16).

Considerando como legítima e verdadeira a palavra de Deus do Antigo Testamento, o Novo Testamento também aponta que Deus falou aos profetas (At 7:31-53) e falou através de suas intervenções históricas (2Pe 1:21). Toda experiência de escuta e assimilação da palavra de Deus vivenciada pelas tradições judaicas é integralmente assumida e venerada pela Igreja cristã primitiva.

Na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de uma mulher. O nascimento, a vida, as obras e o projeto de Jesus Cristo tornaram-se a maior e mais importante revelação. Por isso diz-se que Jesus é o centro da revelação, por ser a própria Verdade; e o Antigo Testamento, mesmo sem conhecê-lo, testemunha-o com uma gigantesca e maravilhosa profecia. Esse milagre só podia ter como autor o próprio Deus.

A encarnação de Jesus confirma a dimensão mais real e palpável da revelação de Deus. Ele ensinou com palavras, mas a revelação realiza-se nele principalmente através de sua prática libertadora, pela sua morte e ressurreição; prenúncios da redenção para a humanidade – a salvação.

Com a encarnação do Filho de Deus, o que antes era sustentado fundamentalmente pela palavra, agora é testemunhado pela própria carne de Deus feito homem, a verdadeira Palavra – a verdadeira Revelação. Acontece, porém, que a própria revelação encarnada não exclui a necessidade estrutural de expressar-se com reflexos verbais, de se comunicar. Os "ensinamentos de Jesus" são transmitidos como a Boa Nova e, na sua ausência histórica repercute-se em expressões verbais, literárias e lingüísticas.

Nas cartas paulinas, a revelação realiza-se nas palavras da Escritura, exaltando a categoria da palavra; Paulo reconhece o Antigo Testamento como expressão fragmentária da revelação de Deus, cujo ápice se faz através da palavra comunicada por intermédio de Jesus (Hb 1,1-3).

João acentua o valor do cristianismo como uma religião revelada, identifica Jesus com a própria palavra: ele é por inteiro revelação e palavra. Palavra que ainda é carne viva e concreta, que com nossos olhos foram vistos, que foi contenplada, e que as mãos dos discípulas apalparam; mas que, afinal, também precisou chegar-se por meio de palavras e que por palavras foi entregue a sua revelação, ou seja, a comunicação da revelação.

 

CONCLUSÃO

Não há mais revelação hoje. Devemos nos opor a qualquer mensagem que revela algo a mais ou alguma coisa diferente do que Deus falou no Novo Testamento. Assim, todas as religiões baseadas em alguma outra revelação são automaticamente rejeitadas. O verdadeiro seguidor do Senhor se lembrará e guardará o que ele tem aprendido do Evangelho.

Além disso, reduzir o processo revelador trazido pelo Antigo Testamento em forma de palavra de Deus é aceitável apenas quando não se reflete toda a experiência da revelação no Novo Testamento. De fato, essa experiência reveladora é muito mais complexa e não pode ser assim simplificada, senão para evidenciar aspectos que nos fazem compreender esquematicamente o processo da comunicação da revelação.

No intuito de crescer no tema desenvolvido neste trabalho, sugere-se discutir em momento oportuno algumas questões que são apontadas abaixo:

  • Se a perfeição já estava disponível em Cristo no primeiro século, como pode ainda existir mais alguma mensagem para Deus nos revelar?
  • O que mais poderia nos prover uma outra revelação hoje em dia?

 

 

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, João Ferreira. A Bíblia Sagrada: Edição Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original. São Paulo, 1995.

BARKER, Kenneth (organizador), [et al.]. Bíblia de estudo NVI. São Paulo. Ed. Vida, 2003.

BETEL, Seminário. Métodos de estudar a Bíblia – Apostila. Bahia. 2005

GORGULHO, Gilberto da Silva, [et al.]. A Bíblia de Jerusalém: Edição em língua portuguesa. São Paulo. Ed. Paulus, 1973.

ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo. Ed. Vida Nova, 1994.

 

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Este site foi atualizado em 06/01/07